O karate-do
O que é o karate, porque se treina e como chegou de Okinawa ao Japão e ao resto do mundo.
Em resumo
- Origem
- Okinawa
- Chegada ao Japão
- 1921, com Gichin Funakoshi
- Estilos da JKF
- Shotokan, Goju-ryu, Shito-ryu e Wado-ryu
O karate é uma arte de combate. Mas, levado a sério e praticado com consciência, é sobretudo um instrumento de educação. Daí a máxima:
O fim do karate-do não está na vitória nem na derrota, mas no aperfeiçoamento do carácter de quem o pratica.
Porque se treina
Hoje o karate é reconhecido em todo o mundo como uma disciplina física e cultural, e é ensinado em universidades de vários países, incluindo Portugal. É uma arte de movimento e de respiração que procura dar coragem, cortesia, integridade, humildade e autocontrolo.
O treino trabalha os músculos, a flexibilidade, a respiração, a coordenação e o equilíbrio: «mente sã em corpo são». Cada um pratica pelo que procura: manutenção da forma física, lazer, reabilitação, cultura física, competição ou defesa pessoal.
É um erro pensar que o combate é a finalidade do treino. O karate é um processo de desenvolvimento de toda a pessoa. A verdadeira dificuldade de quem pratica é o próprio orgulho e a ânsia de vencer: o verdadeiro adversário está dentro de nós, não nos outros. Quem vê em cada colega de treino um inimigo depressa abandona o karate. A prática é um meio de encontrar equilíbrio e harmonia, consigo e com os outros.
De Okinawa ao Japão
O karate nasceu em Okinawa, da mistura de formas locais de combate com artes marciais chinesas trazidas por marinheiros e mercadores que visitavam a ilha. O livro essencial para compreender essa influência é o Bubishi, que descreve técnicas de combate e fala da importância da formação integral da pessoa. Não havia ainda estilos; com o tempo, grupos de praticantes desenvolveram métodos próprios, e surgiram o Shuri-te, o Naha-te e o Tomari-te.
O karate espalhou-se em Okinawa com Anko Itosu (1830–1915), que trouxe novas formas de treino: o instrutor dava uma ordem para cada gesto, o que não era habitual no ensino tradicional. Kentsu Yabu (1863–1937), aluno de Itosu e militar conhecido, contribuiu para que o karate se tornasse disciplina obrigatória de educação física nas escolas de Okinawa.
O karate chegou ao Japão com Gichin Funakoshi (1868–1957). Em 1921 fez uma demonstração numa exposição nacional que impressionou Jigoro Kano, o fundador do judo, que o convidou a repeti-la no seu dojo em Tóquio e o ajudou a divulgar o karate. Em 1924 formou-se o primeiro clube universitário e, em 1933, o karate foi reconhecido como arte marcial japonesa pela Dai Nippon Butokukai.
Do Japão ao mundo
Depois da Segunda Guerra Mundial, as artes marciais foram proibidas no Japão durante algum tempo. Mas a ocupação americana trouxe também trocas culturais: muitos soldados treinaram artes marciais japonesas e, de regresso a casa, divulgaram-nas nos Estados Unidos e no resto do Ocidente.
- 1949
- é criada a JKA (Japan Karate Association), que desenvolve o combate livre (jiyu kumite) e organiza, em 1957, o primeiro campeonato do Japão.
- 1964
- é criada a JKF (Japan Karate-do Federation), que reúne os estilos hoje considerados os quatro principais: Shotokan, Goju-ryu, Shito-ryu e Wado-ryu.
- 1966
- realizam-se em Paris os primeiros campeonatos europeus da EKU (European Karate Union), hoje EKF.
- 1970
- é fundada em Tóquio a WUKO (World Union of Karate-do Organizations), hoje WKF (World Karate Federation).
O Wado-ryu, o estilo que a AKWP ensina, nasceu neste caminho: veja a história do Wado-ryu.